Hahaha obrigada!
Hoje descobri que o amor não morre de causas naturais. Descobri que é a gente quem mata o amor. Mata aos pouquinhos ou de uma vez. Por descuido ou desinteresse, é a gente quem mata o amor. Matamos porque não conseguimos cuidá-lo quando adoece. Matamos porque é mais fácil colocar fim do que cuidar dele. Eu e ele estamos matando nosso amor. Matando atropelado pela grosseria, sufocando com a falta de respeito, esfaqueando o amor pelas costas com as mágoas que guardamos do passado. Eu não quero matar o amor, não. Nosso amor tá doente, com o pé na cova, mas eu quero cuidar dele. Quero fazer respiração boca-a-boca, quero dar os primeiros socorros, quero doar meu coração pra ele, se necessário. Só não quero matá-lo. Mas não adianta eu passar o dia cuidando, medicando o amor, se no finalzinho do dia ele envenena. Parece que ele quer matar o nosso amor aos pouquinhos. Parece que quando ele viu que o amor ficou doente, e que era doença braba, ele ficou com preguiça de cuidar. Mas não quero que ele mate nosso amor. Não vou aceitar ser cúmplice desse homicídio. Vou dizer que do jeito que tá, estamos assassinando o amor. Assassinando com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Um “eu te amo” não dito. E vou dizer pra ele que não quero ser assassina. Mas e se ele quiser ser? E se ele não tá com preguiça de cuidar, e se ele só quer mesmo matar o amor? O que eu faço?! Deixo ele matar?! E se ele é um serial killer de sentimentos? E se o plano dele agora é esse? Matar o amor, esconder o corpo e ainda acabar com seus cúmplices?! Porque eu sou o cúmplice. E se ele assassinar o amor, ele vai acabar comigo. Eu vou ficar acabada. Eu e nossos planos. Eu, nossos planos, as viagens que ainda não fizemos e nossos filhos. Ele vai assassinar nossos filhos. Ele vai acabar com tudo. Tomara que ele não seja assassino. Torce aí, ora, faz simpatia, vê nos búzios, faz promessa, mandinga, mas torce comigo para que ele não seja assassino. Torce comigo para que ele queira cuidar do nosso amor. Torce porque eu não to preparada para chegar em casa e encontrar o amor assassinado no chão da sala… Torce porque sinceramente não sei o que faria se ele matasse nosso amor.
“193, Corpo de Bombeiros. Qual a emergência?”
Matei quem matou o amor.
(Carolina Bensino)
Certamente o tipo de pessoa que desperta em mim uma curiosidade inquietante são as que não depositam expectativa no amor. O tipo de pessoa que mesmo junto permanece longínqua.
Diz pra mim, como não esperar nada do amor? A gente sempre espera, mesmo que algo ruim.
Diz pra mim, como é deitar na minha cama e não pensar em passar a noite de domingo lá? E no café da manhã do dia seguinte? Ora, todo mundo pensa no café da manhã do dia seguinte, se terá leite, suco ou fruta. Biscoitinho de água e sal. Jantar requentado.
Diz pra mim, como é não esperar uma ligação, mensagem ou sinal de fumaça depois de um encontro inesquecível?
Diz pra mim, como você consegue me olhar, deitada em seu peito, com o corpo delatando amor e não pensar se ainda estaremos assim daqui a 5 anos?
Diz pra mim, porque apesar de eu tentar muito, sempre deposito, mesmo que muito miúda uma expectativazinha no amor. Diz pra mim, porque independente de quantos relacionamentos com términos frustrados eu tenha, eu sempre acabo sentindo um calor no peito quando me deparo com a possibilidade de ser conquistada. Então, por favor, diz pra mim como é ter o coração mais duro que a bunda da Juliana Paes e não sentir a mínima vontade de amar e ser amado.
Diz pra mim, porque aqui de dentro do meu coração desarmado e da minha alma sensível eu não consigo entender como não esperançar qualquer sinal de amor que eu encontre pela vida. Diz pra mim, porque eu estou cansada de especular e tentar lhe desvendar. Diz pra mim e acaba com essa dúvida que ronda a minha cabeça toda vez que você não liga, ou não aparece, ou não se interessa, ou não vem. Diz pra mim, porque aí as minhas expectativas, mesmo que miúdas, nesse amor que a gente tem-e-não-tem talvez desapareçam e eu deixe de criar expectativas, mesmo que ruins, sobre o amor. Diz pra mim, porque aí você deixa de ser mistério.
Pensando bem…
Não diga.
(Carolina Bensino)

